Meus ancestrais, afim de sobreviverem, caçavam o sua própria comida. Para isso, usavam punhais feitos com pedras pontiagudas e machadinhas que consistiam em lascas de pedras presas a pedaços de madeiras por meio de cipós. Também lanças, arcos e flechas de madeira modelada.
A caçada requeria ainda mais perícia do que a confecção de armas: quando avistavam sua presa, permaneciam silenciosos por uma eternidade, esperando o momento certo de atacar. E se acaso obtivessem sucesso em sua empreita, conservavam o alimento, sabe Deus como, o máximo possível para durar até a próxima caçada.
Eu, quando estou com fome, me dirijo ao caixa de um Fast Food qualquer portando apenas o cartão de crédito. Cinco minutos depois, tenho numa bandeja, em meio a duas bandas de pão, 90 gramas de carne bovina, queijo, alface e um molho especialmente feito para que eu não saiba seus ingredientes.
A vida moderna é chata e monótona, e ao ver o pneuzinho que se acumula em minha cintura, penso que deveria caçar para comer.
Sombra que passa através da sombra E atravessa a sombra E a outra sombra E vai para além da sombra E rasga a sombra E entra a sombra
Agora já se assombra Não há luz dentro deste coração Apenas mais sombras É o passado que o assola É o presente que o esfola É o futuro sem nada na cola É apenas mais e mais sombras
Sombra que comanda as sombras Noites de sombras Dias de sombras Nada mais serve Só sombras à sobra Só sombras Minhas obras Carregadas de sombras Minha alma pintada com sombras
Estou perturbado demais Por estas sombras Sombras Sombras Sombras E até o fim dos dias SOMBRAS!
Deixo hoje, o mundo de máscaras por onde tenho andado. Onde tudo sou... mas nada é de verdade!
Hoje retorno, ao meu mundo de sonhos, onde disfarço-me da minha verdade, onde o meu grito ecoa estridente e a minha máscara é nua e transparente!
Hoje retorno aos meus devaneios, preencho estas linhas com os mais insanos anseios. Declamo minha ira, relato minhas decepções e digo ao mundo o meu amor!
São versos tortos, um misto de palavras sem sentido, quereres infundados, sonhos engavetados, apenas conflitos meus!
Estou pronta! Hoje deixo o casulo. E docemente confusa, deslizo nas linhas deste poema, abro as asas e lanço vôo... despida das minhas máscaras, nua de meus segredos... disfarçada de mim !
Numa tarde Outonal de janeiro Tantas primaveras De eras que eram tempo de afirmação O ar de hoje em dia Exala um cheiro estranho
Tanta vida Embutida dentro da vida De asa partida Não pode voar
Mas o tempo Ainda é tempo de ida...
E essa tarde estranha Guarda uma fenda Que se possa enxergar A entranha da tarde Enigma do tempo Maior que a contemplação Ou o lamento, É a Inquietação
Que com a brisa da tarde Traz um silfo no ouvido
Aquela palavra perdida Na noite dos séculos Que tento em vão encontrar. Ederson Rocha
intenções da cidade
trançadas em pés e braços e corpos
bocas e línguas
noite
gatos pardos cantam nos muros
pessoas saem às ruas
amontoam-se nas praças
filas aparecem
para acontecer
a praça
o palco
e o chafariz
rostos vários
sob o mesmo céu
quartas
de tantos crescentes
tantas intenções
cheias de cores
sons
das mesmas fatídicas ladeiras
que repisei
nos arredores do barro vermelho
as flores silvestres sem nome certo
lascivo lábio antropofágico
lapidando o ápice da arte