Um espaço para os guerreiros soltarem sua voz em torno da fogueira. Tomai assento em vosso lugar em torno da fogueira. E dizei palavras belas.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Beto e Alfa
Beto e Alfa
no lugar de rocinante
carregam cavaleiro andante
outro Borges
outra biblioteca
pelos campos e prados
as letras os burritos carregam
não há a donzela Dulcineia
em sua galopante epopeia
nem mesmo galante armadura
o professor sem lança
e com um livro
por empunhadura
http://educaciondealtaconciencia.wordpress.com/2011/05/06/admirable-ejemplo-biblioburro/
sábado, 14 de janeiro de 2012
Paulistana
Fugitivos
rostos carrancudos
olhares alheios
debaixo da garoa fria
germina uma selva de pedras
cinza
emoções robotizadas
paulista fria
desfila peles exoticas
indiferente ao frio que dorme sob o jornal
antes por ti lido
rostos carrancudos
olhares alheios
debaixo da garoa fria
germina uma selva de pedras
cinza
emoções robotizadas
paulista fria
desfila peles exoticas
indiferente ao frio que dorme sob o jornal
antes por ti lido
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
O que eu também desejo
![]() |
| 2012. o ano da realização |
Nota da Autora 1: Primeiro texto do ano, com uma inspiração ilustre do colunista Ivan Martins, leitores e amigos, sejam bem vindos.
Mais do que tentar, esse ano vou realizar.
Esse papo que em 2012 o ano vai acabar, causa pânico em muitas pessoas, e deixa outras em estado “interno” de emergência. Não julgo, nem questiono ninguém por achar isso, ou acreditar naquilo. Cada um com a sua ideologia, cada um que acredite no que lhe convém. Mas tenho uns pensamentos, e porque não dizer conselhos interessantes sobre esse ano. Seguindo a linha de raciocínio que o mundo vai acabar, então por que não fazer dele, o melhor ano de nossas vidas? Se é que vamos morrer, ao menos que aproveitemos esse tempo que nos resta, da melhor forma possível, realizando os desejos mais insanos e os sonhos mais profundos.
Primeira semana de janeiro, de 2012, até dezembro temos um bom tempo pela frente não é? Então é bom arregaçar as mangas, e “pernas pra que te quero”. Que tal tirar do guardarroupa aquela velha lista de: 10 coisas que gostaria de fazer, e começar a colocá-los em prática? Não tem uma lista? Pois então prepare um papel e uma caneta, pois posso ajudá-los com cinco itens, e o restante, é só inventar. Sem pressa, com tranquilidade e precisão faça por onde possa realizar todos os desejos do seu coração, você tem até dezembro. Sem pensar, nem idealizar, agora é ano de realizar. Esse é o ano da consagração, da consolidação.
A primeira coisa é que você possa voltar no tempo.
Talvez um desejo de muitas pessoas. Mas como se não existe uma máquina do tempo? Pode não existir no mundo real, mas todo é possível nas linhas invisíveis da imaginação. Aquele sentimento de dor, ou rancor. Aquele amigo que você se afastou, um amor antigo que te machucou, volte ao tempo para dizer com toda a certeza, que tudo isso já passou. Que agora seu coração está em paz, e pode seguir deixando tudo isso pra trás. Não permita que nada pendente do passado, incomode seu presente, e principalmente faça parte do seu futuro. Se precisar perdoar, perdoe. Se precisar voltar com alguém então volte. Se precisar conversar, pois que converse. Se precisar fazer, pois faça. Desprenda-se das algêmas, quebre as correntes, e flutue nas asas da liberdade.
Segunda, que você arrume ou mude de emprego.
Arrumar ou mudar de trabalho. (velha história, antigo dilema). Se para o que não tem remédio, remediado já está, o que você está esperando para sair do lugar? Por mais forte que seja a reza da sua mãe, ou por mais sorte que te deseje o seu pai, o emprego não vai cair no seu colo, não irá te buscar. Você tem que fazer por onde merecer, mais qeu desejar, você precisa acreditar e realizar. O que gostas de fazer? Ou o que é capaz de aprender? Está na hora de arriscar, é agora que você precisa todas as suas fichas apostar. Comece verificando os cadernos de empregos num jornal, cadastre seu currículo em sites da internet, atente-se as redes sociais, e não esqueça de colocar um calçado confortável, pegar uma pasta cheia de currículos impressos, e recorrer ao método mais antigo, procurar emprego pessoalmente.
Terceiro item da nossa lista, faça uma boa viagem.
Campo ou Praia. No Brasil ou fora. Não importa o lugar, mas sim a sua vontade de chegar lá. Trem ou ônibus, que seja de barco ou avião, está mais do que na hora de realizar os desejos desse nobre coração. 1 final de semana, ou 1 mês, pode escolher dessa vez. Mas que seja um lugar belo demais, assim não se esquecerá jamais. E o dinheiro de onde virá? Do porquinho escondido de baixo da cama, oras, é só você quebrar.
A outra coisa é que você preserve os velhos amigos, e faça novos.
“É impossível ser feliz sozinho” Gosto muito dessa frase, independente de onde venha a sua autoria, pois acredito nela, e acho muito verdadeira. “Eu gosto de ficar sozinho, quero ficar sozinho” lenga, lenga, puro blá blá blá. Sentir a necessidade de estarmos sozinhos, para realizarmos determinadas atividades é uma coisa. Reservar um tempo para cuidar, pensar e estar consigo mesmo tudo bem, agora ficar num estado “permanente” de solidão, ahn, isso ninguém gosta. Como eu afirmo com tanta certeza? Sei por mim, sinto pelos outros. É justamente nesse contexto que volto a insistir “é impossível ser feliz sozinho” precisamos uns dos outros para compartilhar ou vivenciar pensamentos, ações e principalmente sentimentos. Aqui entram os amigos, parceiros de alma, irmãos de coração. Preserve os velhos amigos, diga para eles como você é feliz por tê-los, o quanto gosta, e como te fazem bem (não vale á pena guardar esses sentimentos), demonstrações de afeto são ótimos, e a todos convém. A novidade é no mínimo interessante, então faça novos amigos, conheça novas culturas, faça novos roles, experimente de novos sabores, viva cada dia como se fosse o último, pode ou não ser mesmo, meu bem.
E por fim quero falar do 5° item dessa lista (esse que eu também desejo), o encontro de um grande amor.
Os amigos são indispensáveis em nossas vidas, e trazem uma felicidade quase equivalente a cem por cento. Eu disse “quase” e isso porque, só podemos ser felizes por completo, com mente, alma e coração quando encontrarmos a outra metade do coração (metade são os amigos), a outra justamente consiste num amor que está por vir, em alguém que esperamos ansiosamente chegar. De onde não sabemos hora certa, ou lugar. Mais virá pra arrebentar, virando a mesa, rompendo a porta (como uma poeta insiste em falar). Pois espero mesmo que venha, sem pressa, sem demora, algo lá no fundo me diz que agora é a hora. Tá se aproximando, tá chegando, não posso ver, mas posso sentir. Temos duas opções: Ou esperar chegar, ou sair para procurar. (Quem me conhece sabe bem, a atitude que eu vou tomar). Mas enquanto isso não acontece, enquanto não chega, continue aproveitando, sonhando e realizando. A vida é feita desses sonhos que vem e vão. Estou preparada e de malas prontas, 2012 cheguei.
Por Regine Wilstom
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
sábado, 10 de dezembro de 2011
Feriado é dia de descansar
![]() | |
| "Não sabem que feriado é dia de descansar?" |
Sentada no banco da praça,
Aquela mesma praça, de banco cansado.
Vista oscilando, sol estralando, melhor pegar meu óculos,
Porque não demora, e verei algo que não vou gostar.
Alías, porque será que fazem tanto barulho
Não sabem que feriado, é dia de descansar?
Tem mosquito de "zum, zum, zum" na minha orelha
Sai daqui, bicho danado,
Hoje quero pensar, hoje quero ficar só.
Melhor eu caminhar um pouco, talvez melhore,
Logo alí tem um lago, mas que bela paisagem.
Queria, que ás vezes, as águas pudessem falar,
Me poupariam o trabalho de tentar decifrar
O que meu reflexo, tanto tenta me mostrar.
Bom mesmo, é tomar um café quentinho,
Com bolo de cenoura saindo do forno,
Feito pelas mãos da vovó, tem seu charme e carinho.
E tem brigadeiro e beijinho pra criançada,
Chá de maracujá, para as mamães estressadas
Arroz e feijão, para aos papais que trabalharam um tantão.
Graças a Deus, que hoje é feriado
Assim não precisarei enfrentar o fogão.
"Pai-Nosso, só amanhã"
Sem cabelo penteado, nem roupa alinhada
Sem salto, sem dinheiro pra gastar,
Nem conversas sobre futebol,
Nem "fofoquinhas" de mulher.
Melhor um filme de comédia romântica na televisão (volte a servir pipoca, ou o pão)
E quando esse melodrama acabar, melhor deixar a cama pronta para eu capotar,
Mas antes disso, melhor que toque uma música,
Rock, pop, forró ou samba
Nessa altura não faz diferença, se o ouvido não gostar,
A gente pode tentar enganar.
Já acabou o passeio no parque, a comida, e o filme
Melhor mesmo é dormir (antes que algo mais me irrite).
Bom mesmo, é o mundo dos sonhos
Onde não tem crianças chorando de fome,
Adultos sofrendo por percas, medo ou dor
Por isso, que gosto tanto de sonhar
Lá me escondo entre nuvens, e a realidade não pode me achar.
Ainda bem que hoje é feriado,
Assim posso ficar mais tempo por aqui,
E sonhar mais um bucado.
Regine Wilstom*
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Antes
Arrependida
desejo um caminho qualquer
que apenas me leve pra longe
sem data de volta
sem ponto de parada
como um barco sem ancoradouro
sem destino
deixando o passado nas ondas
e fugindo do futuro
antes,
havia brilho nos olhos
a luz era um sorriso
que quase nunca se escondia
antes,
os pensamentos eram doces
adormecer era um prazer
igual abrir os olhos ao amanhecer
e o futuro era ansiosamente esperado
amanha
espero apenas estar errada!
Rosane Oliveira
domingo, 13 de novembro de 2011
Inerte
Inerte
Dormente
Meio anestesiada
Olhos fechados
Não quero dizer nada!
Quieta,
Imersa nos meus pensamentos,
Reencontro os juramentos,
Que se perderam num momento!
Alheia,
Procuro os porquês,
Recuso-me a ceder,
Rebelde, não quero nem saber,
Dos problemas que são pra você!
Muda,
Grito minha ira,
Surda,
Não ouço o teu perdão,
Alheia,
Não percebo o teu ardor,
Dormente ,
Já não sei mais o que quero...
Se a vida é sonho
Ou a morte que é um mistério!
Melhor viver...ou morrer?
Rosane Oliveira
Dormente
Meio anestesiada
Olhos fechados
Não quero dizer nada!
Quieta,
Imersa nos meus pensamentos,
Reencontro os juramentos,
Que se perderam num momento!
Alheia,
Procuro os porquês,
Recuso-me a ceder,
Rebelde, não quero nem saber,
Dos problemas que são pra você!
Muda,
Grito minha ira,
Surda,
Não ouço o teu perdão,
Alheia,
Não percebo o teu ardor,
Dormente ,
Já não sei mais o que quero...
Se a vida é sonho
Ou a morte que é um mistério!
Melhor viver...ou morrer?
Rosane Oliveira
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
ESTRELA MAIS BRUTAL
Eu saio nesta noite, mil trombetas anunciam que o tempo acabou
porque nunca fui bom menino,
eu conheço a mensagem das sombras no viaduto
e já não quero mais beber as oferendas do comércio ambulante da culpa,
porque é minha alma que agita a bandeira vermelha dentro da garrafa,
estou armado de loucuras e psicotrapos, apenas os viciados
sabem aonde vou porque roubamos juntos o dinheiro do padre,
todos sabem que te amo da maneira mais animal do coração,
a teimosia de assassinar imbecís prova que o meu amor é selvagem
porque no teu cio encontro a dança que enterra raízes no luar,
e da tua lágrima de perdão arquiteto o sexo mais autêntico
que os anjos boquiaberram depravando castigos evangélicos,
pois no teu corpo eu abandono teoria e estatuto
e visto a fúria que me faz inteiro
como a estrela mais brutal de um céu feito de urros,
aonde a noite serve apenas p'ra entender
que a minha fêmea é você e que se dane o escuro
porque nunca fui bom menino,
eu conheço a mensagem das sombras no viaduto
e já não quero mais beber as oferendas do comércio ambulante da culpa,
porque é minha alma que agita a bandeira vermelha dentro da garrafa,
estou armado de loucuras e psicotrapos, apenas os viciados
sabem aonde vou porque roubamos juntos o dinheiro do padre,
todos sabem que te amo da maneira mais animal do coração,
a teimosia de assassinar imbecís prova que o meu amor é selvagem
porque no teu cio encontro a dança que enterra raízes no luar,
e da tua lágrima de perdão arquiteto o sexo mais autêntico
que os anjos boquiaberram depravando castigos evangélicos,
pois no teu corpo eu abandono teoria e estatuto
e visto a fúria que me faz inteiro
como a estrela mais brutal de um céu feito de urros,
aonde a noite serve apenas p'ra entender
que a minha fêmea é você e que se dane o escuro
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
TERÇAS LITERÁRIAS. ENCONTRO COM OS ESCRITORES DE MAUÁ E REGIÃO.
CAROS (AS) AMIGOS (AS),
CONVIDO TODOS PARA NOSSA REUNIÃO / ENCONTRO NO TEATRO MUNICIPAL DE MAUÁ, RUA GABRIEL MARQUES, S/N - VL. NOÊMIA - MAUÁ - SP.
TEL.: 4555-0086.
DIA 02 DE AGOSTO DE 2011, ÀS 19 HORAS.
TRATAREMOS DE ASSUNTOS DE INTERESSE DE TODOS AQUELES LIGADOS À AREA LITERÁRIA.
AGUARDAMOS SUA PRESENÇA.
SIMONE BELLO
BIBLIOTECÁRIA E NUCLEADORA DE LITERATURA
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Prêmio OFF FLIP de Literatura
http://www.publishnews.com.br/telas/noticias/detalhes.aspx?id=64059
"Em sua 6ª edição, o Prêmio OFF FLIP de Literatura vai premiar os poetas Aparecida Alves Meira Leite (SP)", momento de absoluto puxa_saquismo e bairrismo de minha parte, a Aparecida é a terceira mauaense (quem mora em Mauá- SP) a receber o Prêmio Off Flip e a segunda a receber em primeiro lugar. Minha cidade é uma bomba-relógio social, uma obra prima da destruição urbana do "milagre brasileiro", prima pobre do grande ABC, mas na poesia somos todos grandes.
terça-feira, 28 de junho de 2011
A POESIA
(Fragmento de uma conferência pronunciada em Madri, em 1921)
Além da significação gramatical da linguagem existe outra, uma significação mágica, que é a única que nos interessa. Uma é a linguagem objetiva que serve para nomear as coisas do mundo sem apartá-las de sua qualidade de inventário; a outra rompe esta norma convencional, e nela as palavras perdem sua representação estrita para adquirir outra mais profunda e como que rodeada de uma aura luminosa, que deve elevar o leitor do plano habitual e envolvê-lo numa atmosfera encantada.
Em todas as coisas há uma palavra interna, uma palavra latente e que está debaixo da palavra que as designa. Esta é a palavra que o poeta deve descobrir.
A poesia é o vocábulo virgem de todo preconceito; o verbo criado e criador, a palavra recém-nascida. Ela se desenvolve na primeira aurora do mundo. Sua precisão não consiste em denominar as coisas, mas sim em não afastar-se da aurora.
Seu vocábulo é infinito porque ela não crê na certeza, e sim nas probabilidades. E seu papel é converter as probabilidades em certeza. Seu valor está marcado pela distância que vai entre o que vemos e o que imaginamos. Para ela não há passado nem futuro.
O poeta cria, fora do mundo que existe, o que deveria existir. Eu tenho o direito de querer ver uma flor que anda ou um rebanho de ovelhas atravessando o arco-íris, e quem quiser me negar esse direito ou limitar o campo de minhas visões deve ser considerado um simples inepto.
O poeta faz mudar de vida as coisas da Natureza, recolhe com sua rede tudo aquilo que se move no caos do inonimado, estende fios elétricos entre as palavras e ilumina subitamente rincões desconhecidos, e todo esse mundo estoura em fantasmas inesperados.
O valor da linguagem da poesia está na razão direta de seu afastamento da linguagem que se fala. Isto é o que o vulgo não pode compreender, porque não quer aceitar que o poeta trate de exprimir apenas o inexprimível. A outra fica para os vizinhos da cidade. O leitor comum não se dá conta de que o mundo passa ao largo do valor das palavras, que resta sempre um mais além da vista humana, um campo imenso livre das fórmulas do tráfico diário.
A Poesia é um desafio à Razão, porque é a única razão possível. A Poesia não pode nos induzir ao erro, porque a poesia é, enquanto a razão está sendo.
A Poesia está antes do princípio do homem e depois do fim do homem. Ela é a linguagem do Paraíso e a linguagem do Juízo Final, ela ordenha os úberes da eternidade, ela é intangível como o tabu do céu.
A Poesia é a linguagem do Paraíso. Por isso, apenas os que trazem a lembrança daquele tempo, apenas os que não esqueceram os vagidos do parto universal nem os sons do mundo recém-criado, são poetas. As células do poeta estão juntadas na primeira dor e guardam o ritmo do primeiro espasmo. Na garganta do poeta o universo busca sua voz, uma voz imortal.
O poeta representa o drama angustioso que se realiza entre o mundo e o cérebro humano, entre o mundo e sua representação. Quem não tiver sentido o drama que se desenrola entre a coisa e a palavra não poderá me compreender.
O poeta conhece o eco dos chamados das coisas às palavras, vê os laços sutis que se estendem as coisas entre si, ouve as vozes secretas que lançam umas às outras palavras separadas por distâncias incomensuráveis. Faz se darem as mãos vocábulos inimigos desde o princípio do mundo, agrupa-os e os obriga a andar em seu rebanho por mais rebeldes que sejam, descobre as alusões mais misteriosas do verbo e as condensa em um plano superior, entretece-as em seu discurso, onde o arbitrário passa a ter um papel encantatório. Ali tudo cobra força nova, e pode assim penetrar na carne e dar febre à alma. Ali se acha esse tremor ardente da palavra interna que abre o cérebro do leitor e lhe dá asas e o transporta a um plano superior, elevando-o de categoria. Então se apodera da alma a fascinação misteriosa e a tremenda majestade.
As palavras têm um gênio recôndito, um passado mágico que somente o poeta sabe descobrir, porque ele sempre volta à fonte.
A linguagem se converte em um cerimonial de esconjuro e se apresenta na luminosidade de sua nudez inicial, alheia a todo vestuário convencional fixado de antemão.
Toda poesia válida tende ao limite último da imaginação. E não só da imaginação mas do espírito mesmo, porque a poesia não é outra coisa senão o último horizonte, que é, por sua vez, a aresta onde os extremos se tocam, onde se confundem os chamados contrários. Ao chegar a esse limite final, o encadeamento habitual dos fenômenos rompe sua lógica e no outro lado, onde começam as terras do poeta, a cadeia se desfaz em uma lógica nova.
O poeta vos oferece a mão para conduzir-vos além do último horizonte, acima do cume da pirâmide, nesse campo que se estende além do verdadeiro e do falso, além da vida e da morte, além do espaço e do tempo, além da razão e da fantasia, além do espírito e da matéria.
Ali plantou a árvore de seus olhos e a partir dali contempla o mundo, a partir dali vos fala e vos descobre os segredos do mundo.
Há em sua garganta um incêndio inextinguível.
Há também esse balanço de mar entre duas estrelas.
E há esse Fiat Lux que leva cravado na língua.
Vicente Huidobro - Altazor e Outros Poemas - Art Editora Ltda
Tradução: Antonio Risério e Paulo César Souza
quarta-feira, 22 de junho de 2011
PARTIR
É hora de recolher a bagagem e partir.
Nem sempre fui o que de mim esperava,
mas nunca pretendi do Amor
nada mais do que me doar.
Aonde estiver,
levo fogos e centelhas,
armamentos do espírito e anarquismos.
Por Amor, soube a hora de inexistir
Nem sempre fui o que de mim esperava,
mas nunca pretendi do Amor
nada mais do que me doar.
Aonde estiver,
levo fogos e centelhas,
armamentos do espírito e anarquismos.
Por Amor, soube a hora de inexistir
TODOS TEMOS PROBLEMAS
Vai uma fruta aí, moço?
sábado, 28 de maio de 2011
Nota de falecimento.
Estamos em luto pelo falecimento do amigo e grande companheiro - Mauri Chiozzani – pintor de talento e capista da Taba de Corumbê.
Está sendo velado no cemitério Vale dos Pinheirais.
(Av. dos Manacás, 1400 - Jd. Primavera - Mauá – SP)
Seu corpo será sepultado às 15h00 no Cemitério do Santa Lídia.
( R. Três Américas, 214 - Mauá-SP)
quinta-feira, 19 de maio de 2011
MÚSICA do CÉU
Meu Amor, eu te amo um infinito desde agora,
porque a eternidade é urgente,
e tanto te amo mais e demoradamente
que toda a pressa é o querer maior do te chegar
Agora, quando o meu Amor é louco e permanente,
abandono erro e bagagem exagerada
e faço da estrada a subida ao céu pela escada
do amor todo entregue a te exaltar furiosamente
Porque se há amor que um homem aos pés da mulher
deposite, é o meu amor o que requer
dos teus deleites o favor único
de ser amado só pela eternidade sentida
na lágrima que a alma derrama
quando a música do céu nasce do olhar
porque a eternidade é urgente,
e tanto te amo mais e demoradamente
que toda a pressa é o querer maior do te chegar
Agora, quando o meu Amor é louco e permanente,
abandono erro e bagagem exagerada
e faço da estrada a subida ao céu pela escada
do amor todo entregue a te exaltar furiosamente
Porque se há amor que um homem aos pés da mulher
deposite, é o meu amor o que requer
dos teus deleites o favor único
de ser amado só pela eternidade sentida
na lágrima que a alma derrama
quando a música do céu nasce do olhar
quarta-feira, 18 de maio de 2011
X Encontro de Pesquisa em História da UniABC
Participação da Taba no - X Encontro de Pesquisa em História da UniABC - presenças de Edson Bueno de Camargo, Aristides Theodoro, Iracema M. Régis e Macário Ohana Vangélis, na mesa "Poesia e Identidade" dia 17/05/2011 no Atelier 1 Bloco c.
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