segunda-feira, 14 de maio de 2012

DILLAH DILLUZ


Di lá da luz
Vem Dillah
Dilluz
A iluminar
Palcos
Vidas
Sorrisos.

Da luz faz brilho
Graça
Mesmo quando
Das trevas o inevitável
Tocar-lhe o brilho
Luz não apaga
Bambeia
Volta
Forte
Cortante
Alta voltagem.

Luzes de cá
De lá
De todo lugar
De onde vem?
Dos festins dionisíacos
Dos carnavais
Musicais
Não, eles vêm...
Do tempo
Deste senhor
Que passa
Cura
Mata
Ressuscita.

Di lá da luz
Do tempo
D’arte
Vida
Vem Dillah Dilluz
Iluminando sorrisos
Parcos
Duros de vida
Concreta
Dura
Escura...
Destroçados
Após receber
Aquela luz
De
Dillah Dilluz.

André Camargo
14/05/2012

*Para o caríssimo Edivaldo Barreto, nossa querida Dillah Dilluz, muita luz pra ti, beijos n’alma, no coração e no espírito...


domingo, 29 de abril de 2012

ECO



Oi!
...oi
          ...oi
                   ...oi

Alguém ai!
...ai
           ...ai
                      ...ai

Olá!
...olá
              ...olá
                           ...olá

Quem és tu?
...tu
            ...tu
                        ...tu


O eco
Vazio de si
Canta à solidão
Medo, insegurança, tempo...
Recita ao senhor vento
amores, dores
Levadas ao nada
Espera tudo
Até resposta...
De quem?
Alguém
Apenas alguém.

André Camargo 
2904/2012

quinta-feira, 22 de março de 2012

BATEU

*minha calopsita Loubichou...


Bateu!
Asas?
Vento?

Tempo...

Não
Bateu!
Soco?
Murro?
Tempo?

Vento...

Não
Bateu!
Dor?
Arrependimento?
Tempo?

Tempo...

Não
Bateu!
Bolo?
Massa?
Vento?

Vento...

Não
Bateu!
Tristeza...
De ti?
Não
Do tudo
Dessa vida
Naquele misturar
Sensações
Dores
Risos
Afagos
Magoas
Respirar-te
No vento
Pra num simples
Bater asas
Perder-te
No Tempo...

André Camargo
22/03/2012


*Poesia para minha calopsita Loubichou que fugiu livre hoje, quando meu irmão a assustou , para logo depois rir de sua morte anunciada, pois este pequeno pássaro criado em cativeiro não conheceu os perigos externos da vida ‘lá fora’. Entristeço pela sua perda, mas estranhamente me alegro que pelo menos ela conhecerá o mundo livre, nem que seja por breves batidas de asas. Enraiveço diante de meu irmão, ser boçal e humano que se deu ao trabalho de assustá-la para rir-se depois de sua façanha, esperando sua morte distante.  

sábado, 25 de fevereiro de 2012

LARVAS



São larvas

Não tenha nojo
Não mate
Não pise
Não grite
São futuras borboletas
Não pensou nisso?
Você e outros muitos!
Ao contrário de ti elas vivem
Crisálidas fases
Depois voam, poetizam
Ora se todos fossem como borboletas
Não sérias bestas!!!!



André Camargo
20/02/2012

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

AFUNDAR É PRECISO (?)




Um navio
Afunda
Lentamente (Rápido?)
Na noite.

Lá fora
Frio
Ondas
Mar revolto...

Lá dentro
Calor
Conforto
Falsa segurança...

Os imbecis negam
Acham-no inafundável
Dançam no salão
Alguns poucos
Diga-se de passagem
Enquanto comandantes em surdina
Fogem nos botes...
Por fim os miseráveis
Dormem
Ora tem de levantar-se cedo
Pra que?
Nunca questionaram
A tripulação repete:
“Está tudo bem!”...

Eu e alguns outros
Amigos, doidos, poetas, filósofos
Olhando o convés
Vemos os salva-vidas baixarem
Tentamos avisar
Não nos dão ouvidos
Empurram-nos
Riem de nossa cara
Fazem troça de nós
Voltando a dançar...
Nem nos conveses inferiores
Ouvem-nos
Mandam nos calar
Xingam, ameaçam
Distribuem bordoadas
Repetem o mesmo hino:
“Queremos dormir, amanhã temos de trabalhar!”

Enfim Alguns amigos
Bebem desespero
Outros se jogam no mar
Tantos são detidos por falar
Ou melhor
Causar ‘pânico e terror’
Poucos se juntam a bailar
Eu e uns outros
Olhamos o mar
Pensamos
“Será que queremos nos salvar?”


André Camargo
22/02/2012

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Um diálogo com a solidão

"Mais minha tristeza é serena, pois é natural e justa"
Foto: Divulgação



- Oras, e dessa vez quem bate?
- Eu que sempre vou e volto.
- E esse eu, tem nome?
- Me chamam de solidão, devo entrar?
- E por que entraria?
- Pois se foi você que me chamou.
- Eu? E por que o faria?
- Olhe-se no espelho, a resposta virá.
- Pois que entre, está acompanhada?
- E como estaria?! Se caminho só.
- Pois faça a bondade, queira entrar.
- Ahn que casa adorável, exala meu ar.
- E que ar é esse? Estás a sonhar?
- Que antes um sonho fosse, é uma triste realidade que virá.
- Mas me fale que ar é esse?
- Seu rosto, não deixa enganar.
- Pois companhia a mim faça, já que estás a vagar.
- Certamente por aqui ficarei, até de mim você cansar .
- E por agora, o que vamos conversar?
- Comece você o assunto, estou a pensar.
- Já que pensas, coloque-se a compartilhar.
- E por que e o faria, te conheço de algum lugar?
- Na certa lembra-se de mim, em cada lágrima que te fizeram derrubar.
- E por que o fazem, por que sofro assim?
- Cada um tem seu destino, sua estrada, o seu, leva você a mim.
- Oras, como é ousada. Queres me intimidar?
- Não preciso fazer nada, você há de se consolar.
- Sinto uma tristeza que é serena e sossego.
- Sossego por ser serena. Ou serena por ser sossego?
- Sabes que não fiquei a filosofar, isso há de me ajudar?
- A ajuda sempre vem, de outros ventos, um outro além.
- E esse além que nome tem?
- Um nome tão simples, quanto a sua tristeza. Mas já aviso, sem nenhuma beleza.
- E esse além que nome tem?
- Morte em vida, ou vida em morte, o que lhe convém?
- Pois agora, já me assusta, e por que me sinto assim?
- Já disse são efeitos de tristes momentos, que trazem você para mim.
- Mas não quero, e com você não vou.
- O único modo de
salvar sua alma, é se morrer de amor.
- E como fazer? Se ninguem a vista eu tenho?
- Não posso te ajudar, são as leis de onde eu venho.
- Onde vai, porque abres a porta?
- Chegou o momento de controlar essa sua revolta.
- E se eu não conseguir, se eu falhar?
- Esteja de malas prontas, virei para te buscar!


Por Regine Wilstom