domingo, 28 de março de 2010

ONTEM DO PRIMEIRO DIA (Midrash)

Quando Deus não tinha inventado ainda este tempo, Ele era como uma criança inconsequente ou uma velha excêntrica e vivia a varrer estrelas pelo infinito ou cambalhotar entre os elétrons que Ela criava e destruia, montava e desmontava, sem nenhuma pretensão ou responsabilidade, e Ele inventava o tempo, para depois fazê-lo retroceder, ou avançava-o até que o mesmo se consumisse em silêncio espetacular. E fazia o Ser e o Não-Ser, o Sempre e o Nunca, as milhares de formas da Reta e as infinitas possibilidades de curvas do Espaço. E encaixava infinitos impoderáveis como matrioshkas cósmicas, e desenrolava estruturas químicas de substâncias recém-nascidas. E não havia desperdício, porque não existia carência; e não havia tolice, porque a seriedade nasceu da dor e do trabalho, que ainda não existiam. E também não existia caos, mas uma outra espécie de ordem que hoje ainda subjaz nas entrelinhas da matéria e do pensamento. E na Sua eterna onisciência, quando Ela inventava o sono, sonhava com a sua mais bela criação... Mas infinitas eternidades se passariam até que Ele resolvesse criar este nosso tempo, e se havia alguma demora, não existia nenhuma dúvida. É que até que chegasse o momento, no não-momento, da criação do primeiro dia, Ela ponderava sobre todo o monturo e toda a sordidez que surgiria indiretamente das suas mãos pelas mãos do seus filhos, e sobre a loucura que era entregar o livre arbítrio, um poder tão imenso, para uma criatura tão instável como Adão. Ainda mais que Ele sabia o que seria feito desse dom: sob Seus olhos passavam as lâminas afiadas, misturas incandescentes, átomos em desintegração rasgando a carne inocente; passavam as amarras, correntes, grades e arames torturando espíritos livres; passava o riso sardônico, a maledicência, a calúnia, a execração pública dilacerando a alma do que pecou por ser um milímetro diferente dos demais. Ponderava sobre tudo isso sim, mas não vacilava, porque sabia que sua mais bela criação, menina dos Seus olhos divinos, só poderia revelar toda beleza e poder num mundo deformado por todos os nossos erros . E é por isso que, entre as infinitas possibilidades, Ela não fez o melhor e mais perfeito dos mundos, mas sim este aqui, o que mais necessita da presença redentora do Amor. E foi com esse pensamento que, de repente, Big Bang.
Jorge de Barros

AMIGOS, MALHEM ESSE TEXTO, POR FAVOR.

sábado, 27 de março de 2010

Urban Legio Omnia Vicint

“É tão estranho Os bons morrem jovens”
- Renato Russo 27/03/1960 à 11/10/1996



É. O Trovador Solitário se foi, mas nos deixou sua linda poesia, suas belas cações, sua voz poderosa e ainda sim suave: a voz de uma geração. E não importa o que aconteça:


A LEGIÃO URBANA SEMPRE VENCE.


Como homenagem ao vocalista da maior banda do Brasil, editei frases de algumas de suas musicas.


OUÇA NO VOLUME MÁXIMO:


Urban Legio Omnia Vicint

Beberam meu sangue e não me deixam viver

Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes

Ninguém vai me dizer o que sentir

Já estou cheio de me sentir vazio

Não vou me deixar embrutecer
Eu acredito nos meus ideais

A insegurança não me ataca quando erro

Contra minha própria vontade sou teimoso, sincero
E insisto em ter vontade própria

Contra todos e contra ninguém

Nada mais vai me ferir
É que eu já me acostumei
Com a estrada errada que eu segui
E com a minha própria lei

Um dia pretendo tentar descobrir
Porque é mais forte quem sabe mentir
Não quero lembrar que eu minto também

Mentir é fácil demais

Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira.

Nos deram espelhos e vimos um mundo doente

Esse é o nosso mundo
O que é demais nunca é o bastante
A primeira vez
Sempre a última chance

Todos se afastam quando o mundo está errado
Quando o que temos é um catálogo de erros
Quando precisamos de carinho
Força e cuidado

Não preciso de modelos, Não preciso de heróis
Eu tenho meus amigos, E quando a vida dói
Eu tento me concentrar, N'um caminho fácil

Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou

Porque o tempo é mercúrio-cromo
E tempo é tudo que somos

Até bem pouco tempo atrás
Poderíamos mudar o mundo
Quem roubou nossa coragem?

Os sonhos vêm e os sonhos vão
O resto é imperfeito.

E meus amigos parecem ter medo
De quem fala o que sentiu
De quem pensa diferente

E a vida que a gente leva não é nada igual
Aos Anúncios de Refrigerante.

E tudo aquilo contra os que sempre lutam
É exatamente tudo aquilo que eles são

Ter carro do ano, TV a cores, pagar imposto, ter pistolão
Ter filho na escola, férias na Europa, conta bancária, comprar feijão
Ser responsável, cristão convicto, cidadão modelo, burguês padrão

Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo
Prefiro acreditar no mundo do meu jeito

Quando se aprende a amar.
O mundo passa a ser seu.

E hoje em dia, como é que se diz: "Eu te amo."?

Quem um dia irá dizer que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração? E quem irá dizer
Que não existe razão?

Ainda que eu falasse a língua dos homens.
E falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria

É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã

O que é que desvirtua e ensina?
O que fizemos de nossas próprias vidas?

Vamos fazer nosso dever de casa

O sol é um só
Mas quem sabe são duas manhãs

"Sempre em frente,
Não temos tempo a perder".

Me deixa ver como viver é bom
Não é a vida como está, e sim as coisas como são

Viver é uma dádiva fatal
No fim das contas, ninguém sai vivo daqui mas
Vamos com calma!

Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade,
Tudo está perdido mas existem possibilidades

Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz

E nossa história
Não estará
Pelo avesso assim
Sem final feliz
Teremos coisas bonitas pra contar
E até lá
Vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos
O mundo começa agora, ahh!
Apenas começamos.

FORÇA SEMPRE


– Marcos Roberto Moreira descobriu a força da poesia com a Legião Urbana.


poesia - lulina

Meus registros: Fotografando & Poetando: Como o repicar dos sinos ...



No universo das palavras,
tão bem centradas,
tão bem molhadas
nas lágrimas,
busco
as
mais belas ...
pra chegar aos
seus ouvidos d'alma.
E elas são:
mornas
qual
fim de tarde,
de verão,
embaladas
no vento,
tocadas qual sinos,
livres,
ecoadas repetidamente...
num badalo,
limpo,
ordenado
e
belo.
E as palavras
ecoam,
insistem...
E suaves,
sussurram...
cadenciadas!
E bailam,
e
cantam
e
ecoammmmm ...
aaaaammmmooorrrrrr...
aaaaammmmooorrrrr ...
aaaaammmmooorrrr...
Ecoarão,
permanecerão ...
Porque
fazem parte,
eternamente,
do espaço,
chamado,
meu-coração!


Tata Junq

Poetando, sempre!



Procura-se:
Chão!

Persegue-se:
Sonhos!
Sonhos!
Sonhos!

Aborta-se:
Infelicidades!
Inverdades!

Crê-se:
Justiças!
Lealdades!

Lava-se:
Alma!

Pode-se:
Tudo!

Quer-se:
um
querer
querido:
amor- dividido!

Tata Junq

MOMENTOS REFLEXIVOS & PENSAMENTAR



Ahhhhhhh...cores, amores,verdades,saudades ... em qualquer idade.
Bom viver!Viver dores, amores, alegrias, fantasias, dissabores ... viver.
Viver cada oportunidade, doce ou fel.
Sentir, sentir e sentir ... dividir, dividir, dividir ... nunca carreira solo.
Amar, viver, tem sempre e terá recompensas.É como se tivéssemos à disposição de alimento em nossa dispensa.
Bom ter podido chorar.
Bom ter podido sorrir.
Bom ter podido silenciar.
Bom ter podido partir.
Bom ter podido sonhar.
Bom ter podido ficar.
Bom ter podido amar.
Viver implica em saídas e chegadas. Em marchas e retrocessos ... em pegadas ... deixadas, sutis ou cavadas, qual sulcos na terra , molhada.
Viver é eterna caminhada!
Viver é alma marcada!


Tata Junq 22/07/09

Poetando:Viver.


A Arte
de
Viver,
abre
asas,
sorri,
pinta,
o
céu
da
boca,
e
arreganha
os
dentes.
Presente!

Tata Junq

segunda-feira, 22 de março de 2010

a parte que te cabe




Edson Bueno de Camargo


para o amigo Celso de Alencar

Circe
amarrou a Ulisses
com não correntes
usou os músculos de sua vagina

mesmo estando em êxtase
a saudade de seu chão
e do cheiro do esterco das ovelhas
o chamavam para casa
e se libertou

Circe disse fica
mas Ítaca clamou mais alto

o esperava em casa
uma vagina mais mansa
e doméstica
sem grandes bailados
e malabarismos
mas que demonstrou um furor selvagem
ao se fechar aos machos
que não eram para ela

e na vingança e na morte
se abriu em sorriso
enquanto seu homem
trespassava seus adversários com flechas

nas noites que se seguiram
Ulisses não sentiu saudades
da insaciável bruxa deusa

Penélope
cansada de tecer
exigiu a parte do homem
que lhe cabia

domingo, 21 de março de 2010

pele


Edson Bueno de Camargo


ando tão só
que nem a minha sombra me reconhece.

ando tão sombra
que nem a solidão se reconhece minha

reconheço tão sombra
que a solidão nem anda sobre minha pele

sábado, 20 de março de 2010

Pensamentando.


O Mundo gira,
o das idéias.


Quero pão -de-ló!


Quero pão francês!


Quero brioches!


Quero França!


Quero poetas franceses!


Idéias francesas!


Idéias do Iluminismo!


Borrões de tintas,


na tela


da


mente.


Palavrinhas-de- tintas,


multicoloridas,


perdidas.


Lindamente


despojadas.


Lindamente,


à gauche et


à droite!


Penso.
Fossick
et
de l'invention,
tento.


Tata Junq

MOMENTOS REFLEXIVOS & PENSAMENTAR



Ser ou não ser ...


Hoje é hoje, o resto é conversa!!!




"Tudo preparado para a partida, percebeu que lhe faltava apenas encontrar uma nobre dama para apaixonar-se. Um cavaleiro andante sem amores era uma árvore sem frutos, um corpo sem alma.


....Estava o nobre cavaleiro pronto para buscar a glória das batalhas e o gosto da aventura. Certa madrugada, saiu ao encontro das razões de seus sonhos. Completamente armado, montado no altivo corcel, lançou-se ao mundo."
(Dom Quixote/ Miguel de Cervantes/ adaptação de José Angeli )



Ser ou não ser Dom Quixote? Eis a questão!!


Por hoje, monto meu altivo corcel ...


Lanço-me ao vento!


Corro atrás dos sonhos ... que parecem tão distantes ...


Vou buscando batalhas, internas e externas ... eu chego lá!


Hoje, é hoje!


Amanhã?




Tata Junq

MOMENTOS: Meu registro fotográfico & Pensamentar.



Sonho azul!


Menino-azul,


mergulhador.


Alma doce,


meio ao mar.


Faz-me,


sonhar.


Nadadeiras


na alma,


busco a calma


de


seu


olhar.




Tata Junq

Poetando às avessas.



CABEÇA!


Nome ou documento?


Gente.


Namoro ou amizade?


Lealdade.


Trabalho ou vadiagem?


Viagem.


Amor e uma cabana?


Casa com piscina.


Sabedoria ou ignorância?


Aprendizagem.


Ironias ou antíteses?


Metáforas.


Tata Junq

Fascinação



Fascinação

Fascina-me,
as letras jogadas no papel!
Por vezes...alheias,
em horas unidas,
trazem-me os beijos teus!
Contam-me os teus segredos,
gritam a tua dor...
em intensos momentos,
transbordam o teu amor!

Fascina-me,
as cores que elas desenham...
unidas ditam a cor do mar,
a cor do céu,
o tamanho das tranças da Rapunzel!

Falam da penumbra,
da dor,
da morte
e da saudade de um grande amor!
Contam-me a beleza do raio,
o poder do trovão,
o medo...
o vento e o furacão...
falam da brisa, da chuva,
do desejo
e da sedução do beija-flor!

Fascina-me as letras jogadas no papel
a contar os segredos
de um poeta !

Rosane Oliveira

quinta-feira, 18 de março de 2010

sumi-ê



Edson Bueno de Camargo

desenhar bambus
por ofício
gomo por gomo
e folhas agudas

escamas da terra
serpente verde
que ganha o céu

assim como o gume da espada
o pincel corta a folha
com o poema

porcelana arqueológica


Foto: Sarah Helena



Edson Bueno de Camargo



meninos velhos
auscultam peças de porcelana arqueológica
cacos de vidro verde
louça holandesa
e garrafas venezianas

se buscam entre as vértebras
da terra do quintal

estamos tristes esta tarde
ainda empoleirados no telhado
pequenos galos
tecedores de sol

único quartzo
carrega elétrons de vento solar

ao Sul e ao Norte
espera a aragem
que varrerá com suavidade este dia
a um esquecimento frio e com escamas

o tempo é um peixe
em ombro do poeta