Um espaço para os guerreiros soltarem sua voz em torno da fogueira. Tomai assento em vosso lugar em torno da fogueira. E dizei palavras belas.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Atrabílis (on the rock)
Sonho embalado
Alívio artificial
São segundos
De dor e alívio
Embalo por doces
Que matam...
São corpos esqueléticos
Embarcados em almadias fictícias...
A dançar com a cerasta...
A sonhar com a dabua encantada!
A pedir mais uma dose!
Na noite fria como uma alabanda!
Para uma nova viagem onírica!
Para voltar para casa...
Ao som dos tambores!
Para a mãe negra!
Samuel da Costa é poeta em Itajaí
A insustentável leveza do ser
Samuel Congo da Costa é poeta em Itajai SC
domingo, 4 de julho de 2010
TRADUÇÃO DO QUE É AMOR

IMAGEM GOOGLE

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
TRADUÇÃO DO QUE É O AMOR
Bolhas de sabão
Arco-íris multicor
Canto do Bem-te-vi
Beijo do Beija-flor
Anjo que cura a dor
Razão deste meu amor
Um beijo com emoção
Acalanto de eterna paixão
Meu poema criança
Traduz toda a minha esperança...
Kira, Penha Gonçales
quinta-feira, 1 de julho de 2010
esquizofrenia
dou passos ao acaso
e como diz o poeta Antonio Machado
a estrada se cria sob meus pés
sempre quis ser um artista plástico
o poeta entrou em minha vida de contrabando
junto o músico que menosprezei
o poeta é o mais persistente
dos sintomas
de minha esquizofrenia
terça-feira, 29 de junho de 2010
TODO AMOR

imagem google
TODO AMOR
Um carinho
Beijo de passarinho
Essência de uma flor
No bico do Beija-flor
Transporta no seu caminho
Doçura e amor
Não vê na vida que leva
Razão para o desamor…
Kira, Penha Gonçales

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Ensaio
Ensaio
Esqueço que sou mulher
Esqueço que sou gente
Esqueço que sou humana
Esqueço que sou admirada
Esqueço que sou forte
Esqueço que sou feliz
Esqueço que sou triste
Esqueço que sou alegre
Esqueço que sou feliz
Esqueço que eu existo
Esqueço que sou bonita
Esqueço que sou me transformando
Esqueço que te quero
Esqueço que não sou perfeita
Esqueço que sou falha
Esqueço que sou amada
Esqueço que te quero bem
Esqueço que sou que fui tua
Esqueço que te beijei
Esqueço que te adorei
Esqueço que fui uma pessoa
Esqueço que tenho talento!
Esqueço tudo
Esqueço o mundo
Esqueço a euforia
Esqueço a harmonia
Esqueço os teus carinhos
Esqueço o passado
Esqueço o futuro
Esqueço o presente
Esqueço o momento
Esqueço a minha sombra
Esqueço o sossego
Esqueço a multidão!
Esqueço do trato
Esqueço que nasci
Esqueço da traição
Esqueço do humor
Esqueço a família...
Esqueço a sinceridade
Esqueço a amizade...
Esqueço a solidariedade
Esqueço o perdão
Esqueço a falsidade
Esqueço que tenho direitos
Dessa vez há uma chance...
Sou real
Patrícia Raphael é poetisa em Itajaí
Cabística
Samuel C. da Costa poeta em Itajai SC
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Entregar bêbados.
entregar bêbados,
eis uma ingrata tarefa
enfrentar mães e esposas enfurecidas
sempre
por alguma razão desconhecida
o amigo sóbrio que devolve o bêbado
é sempre a má companhia
que o conduz a bebida
joelhos ralados
roupa salpicada de vômito
cheiro de urina nas calças
palavras balbuciadas e desconexas
realmente,
é desagradável receber um destes pacotes
(Este poema é parte de meu livro inédito "index animi" que provavelmente nunca será publicado)
segunda-feira, 14 de junho de 2010
o preparo (o último chá)
camisas e lençóis brancos no varal
o chão e casa impecavelmente limpos
as coisas ordeiramente arranjadas
na sala e nos quartos
o jardim bem cuidado
a grama cortada
um quarto cuidadosamente trancado
tudo no exato lugar
desde o dia da morte do único filho
na cozinha
a velhinha prepara um bolo
farinha, leite, ovos, cacau e açúcar
sentado na poltrona
esperando o chá
o marido lê o último jornal
saindo do formo
aroma de chocolate
no preparo
da água fervendo no fogão
coloca com toda a delicadeza
duas colheres de raticida
(Este poema é parte de meu livro inédito "index animi" que provavelmente nunca será publicado)
quinta-feira, 10 de junho de 2010
ÁFRICA-2010
O som das vuvuzelas
O grito sem nome
As cores são belas
mas o que elas dizem é:
FOOOOOOOME!
FOOOOOOOME!
FOOOOOOOOOOOOOOOOOOME!
...
JORGE DE BARROS
terça-feira, 8 de junho de 2010
Resultado do Concurso de Poesias Sama – Tema: Água
quarta-feira, 2 de junho de 2010
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Babel
– prisões de alto-padrão
que detém a classe média atrás das grades
para sua própria proteção –
Ali
crianças trocam a várzea
por quadras de cimento batido
casais entrelaçados
ronronam baixas gemidos
“Não faço barulho
as paredes têm ouvidos!”
E enquanto o espetáculo da via alheia passa
na vidraça da torre em frente
toda gente
empilhada
amontoada
busca sua individualidade
luta por privacidade
mantendo-se o mais distante possível
com “ois” desanimados no corredor
com “silêncios” intermináveis no elevador
nessa Babel hodierna
onde cada pessoa fala uma língua
sem a mínima vontade
de fazer entender
quarta-feira, 26 de maio de 2010
A saga dos que vêm de longe

Iracema Mendes Régis
Rosa, que veio de longe
Cara de boneca de pano
Corpo miúdo, desengonçado,
Dos mamulengos da terra.
Trepada no alto,
Espia a 22 de Novembro,
Quase esquina com a Av. Barão.
Ajeita o cabelo, faz unha de pé e mão.
Rosa, que veio de longe,
Não está mais sozinha –
Tem até marido e de noite dorme
Num cantinho só seu.
Caprichosa a Rosa
Faz as unhas da madame
E as suas também.
Corajosa a Rosa
Resiste ao calor do cubículo
Com a mesma graça
Das flores que viçam na praça.
Feliz a Rosa
A tardezinha desce!...
Na casa do Norte,
Envolta nos cheiros do fumo de rolo,
Da carne jabá, da cachaça, da rapadura,
Do pé-de-moleque e do requeijão,
Ela se abastece.
Cidade de Pedra e Argila

“Orquídea posta num vaso”
Nicolas Guillén
Vejo ainda
Grudado no chão
A argila mole
Consistente, catarrosa
Com a qual antigos operários
Moldaram a cara da cidade.
Foi daqui que saiu
A louça, a telha o tijolo
E mais tarde o paralelepípedo
Para a construção de outras
Cidades pelo Brasil afora.
A louça made in Mauá
Criou asas e saiu
Ornamentando mansões grã-finas
Desde “Oropa”, França e Bahia.
Toca Filosófica 19/02/2003
Cascata
segunda-feira, 24 de maio de 2010
MORTE DA REALIDADE

domingo, 23 de maio de 2010
Pedra
terça-feira, 11 de maio de 2010
"sonho com serpentes"
SEXO & CIÊNCIA
da minha época dormem na calçada
entre a droga e o estelionato
Esta não é a terra receptiva
ao Anjo condenado a arrastar a sombra
colhendo as laranjas podres da estrada,
esta é uma terra de igrejas negras
- a monarquia réptil
cintila espadas lavradas dos ossos dos inocentes
Eu encontro a filha do negociante de cabeças
apaixonada pelo rei do tráfico
procurando entendimento e significado,
de ouvido colado no poço
esperando alguma notícia real/
aves descem-lhe docemente pelos suspiros
Por onde quer que eu vá
as pessoas trancam as portas
não querem presenciar
o cumprimento das promessas
O chacal crava a lança
no meio do horizonte, é hora
de encarar as possibilidades
As lágrimas de um anjo revoltado
com a escuridão das almas viciadas
materializam a mulher indecifrada
reinando no mundo baixo dos crimes
patrimoniais perpetuados nas escavações
religiosas cuja lógica é o encontro
do Universo com a modernidade
Rufam os tambores do Paraíso
os anjos de Atlântida
gritam nas celas
e a nova esotérica
é esquecida
porque sexo e ciência
dominam os sentidos
Eu não trago disponibilidades
a perfeição reside no esquecimento







