terça-feira, 29 de junho de 2010

TODO AMOR




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TODO AMOR




Um carinho

Beijo de passarinho

Essência de uma flor

No bico do Beija-flor

Transporta no seu caminho

Doçura e amor

Não vê na vida que leva

Razão para o desamor…


Kira, Penha Gonçales


Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Ensaio

Ensaio

Esqueço que sou mulher

Esqueço que sou gente

Esqueço que sou humana

Esqueço que sou admirada

Esqueço que sou forte

Esqueço que sou feliz

Esqueço que sou triste

Esqueço que sou alegre

Esqueço que sou feliz

Esqueço que eu existo

Esqueço que sou bonita

Esqueço que sou me transformando

Esqueço que te quero

Esqueço que não sou perfeita

Esqueço que sou falha

Esqueço que sou amada

Esqueço que te quero bem

Esqueço que sou que fui tua

Esqueço que te beijei

Esqueço que te adorei

Esqueço que fui uma pessoa

Esqueço que tenho talento!

Esqueço tudo

Esqueço o mundo

Esqueço a euforia

Esqueço a harmonia

Esqueço os teus carinhos

Esqueço o passado

Esqueço o futuro

Esqueço o presente

Esqueço o momento

Esqueço a minha sombra

Esqueço o sossego

Esqueço a multidão!

Esqueço do trato

Esqueço que nasci

Esqueço da traição

Esqueço do humor

Esqueço a família...

Esqueço a sinceridade

Esqueço a amizade...

Esqueço a solidariedade

Esqueço o perdão

Esqueço a falsidade

Esqueço que tenho direitos

Dessa vez há uma chance...

Sou real

Patrícia Raphael é poetisa em Itajaí

Cabística

Cabística
Oh Sereia dos rios e dos lagos...
Doce serpente...
A banhar-se e a mirar-se nas águas.
Vem me seduzir!
Embair-me!
Oh Quianda sagrada!
Quero naufragar e morre em teus braços!
No pelágio mais profundo quero sumir
Quero sumir e morre em teus braços...
Ouvir teu canto mais sagrado...
Viver e morrer em teus braços...
Samuel C. da Costa poeta em Itajai SC

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Entregar bêbados.




Edson Bueno de Camargo

entregar bêbados,
eis uma ingrata tarefa
enfrentar mães e esposas enfurecidas

sempre
por alguma razão desconhecida
o amigo sóbrio que devolve o bêbado
é sempre a má companhia
que o conduz a bebida

joelhos ralados
roupa salpicada de vômito
cheiro de urina nas calças
palavras balbuciadas e desconexas

realmente,
é desagradável receber um destes pacotes



(Este poema é parte de meu livro inédito "index animi" que provavelmente nunca será publicado)

segunda-feira, 14 de junho de 2010

o preparo (o último chá)


Edson Bueno de Camargo

camisas e lençóis brancos no varal
o chão e casa impecavelmente limpos
as coisas ordeiramente arranjadas
na sala e nos quartos

o jardim bem cuidado
a grama cortada

um quarto cuidadosamente trancado
tudo no exato lugar
desde o dia da morte do único filho

na cozinha
a velhinha prepara um bolo
farinha, leite, ovos, cacau e açúcar

sentado na poltrona
esperando o chá
o marido lê o último jornal

saindo do formo
aroma de chocolate

no preparo
da água fervendo no fogão
coloca com toda a delicadeza
duas colheres de raticida


(Este poema é parte de meu livro inédito "index animi" que provavelmente nunca será publicado)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

ÁFRICA-2010

Abra os ouvidos – ouça!
O som das vuvuzelas
O grito sem nome
As cores são belas
mas o que elas dizem é:
FOOOOOOOME!
FOOOOOOOME!
FOOOOOOOOOOOOOOOOOOME!
...

JORGE DE BARROS

terça-feira, 8 de junho de 2010

Resultado do Concurso de Poesias Sama – Tema: Água

Resultado do Concurso de Poesias Sama – Tema: Água

Após avaliação da Comissão Julgadora estamos divulgando as cinco poesias classificadas em cada uma das categorias estabelecidas. A disposição obedece o número de inscrição em ordem crescente dentro da categoria.
Premiação: A premiação será entregue em atividade comemorativa ao mês do Meio Ambiente, desenvolvida em parceria com Secretarias Municipais, cuja data e local será amplamente divulgada. Os participantes do Concurso de Poesias receberão comunicado específico através das formas de contato fornecidas no ato da inscrição.
Certificado: A Comissão Organizadora decidiu conceder Certificado de Participação para todos que inscreveram seus trabalhos. Tais Certificados serão entregues na mesma atividade em que ocorrer a entrega da premiação. Os participantes que não puderem comparecer na data estabelecida posteriormente poderão retirar seus certificados na sede da Sama ou optar pelo recebimento via Correios.

FINALISTAS

CATEGORIA I – Até 12 ANOS

A Água - Alexandre Marcilio Sorato Junior - Mauá/SP
A água - Caroline Rodrigues Gomes – Mauá/SP
Ajudando a água - Rafaela Cruz de Sousa – Mauá/SP
Poema das águas - Robert Galvão da Silva – Mauá/SP
A água - Gabriela Laureano Maria – Mauá/SP

CATEGORIA II – 13 A 18 ANOS

Doce é o som da chuva que cai - Carolina Martins - Mauá/SP
Doce Água - Matheus Mazza da Silva - Mauá/SP
Água nossa de cada dia - Aquiles D R Alves - Mauá/SP
Água - Érica Pereira de Lucena - Mauá/SP
Água, o principio de todas as coisas - Natiele do Nascimento Pereira - Mauá/SP


CATEGORIA III – ACIMA DE 18 ANOS

PEDINDO ÁGUA - Geraldo Trombin – Americana/SP
Ao encontro do mar - Poliane Andrade de Oliveira – Muriaé/MG
Princesa da Terra - Davi Dias Defensor – Sorocaba/SP
NASCEDOURO DA VIDA - Nilton Silveira – Porto Alegre/RS
Um rio de muitas voltas - Jorge Cabral - Mauá/SP




quarta-feira, 2 de junho de 2010

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Babel

Marcos Roberto Moreira 27/05/2010



A cidade verticalizada

arranha a boca do céu com seus edifícios
– prisões de alto-padrão
que detém a classe média atrás das grades
para sua própria proteção –

Ali
crianças trocam a várzea
por quadras de cimento batido

casais entrelaçados
ronronam baixas gemidos
“Não faço barulho
as paredes têm ouvidos!”

E enquanto o espetáculo da via alheia passa
na vidraça da torre em frente
toda gente

empilhada

amontoada

busca sua individualidade
luta por privacidade
mantendo-se o mais distante possível

com “ois” desanimados no corredor
com “silêncios” intermináveis no elevador

nessa Babel hodierna
onde cada pessoa fala uma língua
sem a mínima vontade
de fazer entender



quarta-feira, 26 de maio de 2010

A saga dos que vêm de longe




Iracema Mendes Régis



Rosa, que veio de longe
Cara de boneca de pano
Corpo miúdo, desengonçado,
Dos mamulengos da terra.
Trepada no alto,
Espia a 22 de Novembro,
Quase esquina com a Av. Barão.
Ajeita o cabelo, faz unha de pé e mão.
Rosa, que veio de longe,
Não está mais sozinha –
Tem até marido e de noite dorme
Num cantinho só seu.
Caprichosa a Rosa
Faz as unhas da madame
E as suas também.
Corajosa a Rosa
Resiste ao calor do cubículo
Com a mesma graça
Das flores que viçam na praça.
Feliz a Rosa
A tardezinha desce!...
Na casa do Norte,
Envolta nos cheiros do fumo de rolo,
Da carne jabá, da cachaça, da rapadura,
Do pé-de-moleque e do requeijão,
Ela se abastece.

Cidade de Pedra e Argila




Aristides Theodoro

“Orquídea posta num vaso”
Nicolas Guillén

Vejo ainda
Grudado no chão
A argila mole
Consistente, catarrosa
Com a qual antigos operários
Moldaram a cara da cidade.

Foi daqui que saiu
A louça, a telha o tijolo
E mais tarde o paralelepípedo
Para a construção de outras
Cidades pelo Brasil afora.

A louça made in Mauá
Criou asas e saiu
Ornamentando mansões grã-finas
Desde “Oropa”, França e Bahia.




Toca Filosófica 19/02/2003

Cascata



Cleide Borges




marca
o silêncio de alguns
e dor de outros

paz imposta
num gramado
íngreme

subidas às visitas
pupilas de adeus

a capela inspira
conforto
a fé abalada

abrigos serenos
dialogam

lote 2
quadra C

platéia em flores
dos poros exalam
um coro de amor

brota a vigília
néctar de saudade
cala a sintaxe

segunda-feira, 24 de maio de 2010

MORTE DA REALIDADE




Quatro velas velam a nua realidade

no fundo espaço frio,

cova do fruto da desilusão

aonde jaz

no eterno vazio.

A vida traz

noite sem luz

noite sem lua,

a carpideira contrita chora

a mão crispada ordenamente

encena o sinal da cruz

depois levanta , olha e vai embora,

afinal a vida continua


E a morte?

Ah! Quem quer saber da morte?


ANDRADE JORGE

direitos autorais registrados


domingo, 23 de maio de 2010

Pedra




"Deus de vez em quando me castiga. Me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra."[Adélia Prado]

terça-feira, 11 de maio de 2010

"sonho com serpentes"

M. C. Escher


Edson Bueno de Camargo

“Sueño con serpientes, con serpientes de mar,
con cierto mar, ay, de serpientes sueño yo.”
(Silvio Rodríguez)


que se envolvem entre si
em carne viva
em exposição
em expiação sangrenta

ninho coleante
e viscoso
gangrena dos ossos
vulcão orgânico e pestilento
de ovos
de larvas
de morte lenta adiada

tenho muitos olhos
tenho muitas bocas
e muitas línguas todas bífidas
o cheiro do medo buscam

sonho que estou vivo
(quando morto)
e andando
não caminho um metro sequer
sufoco em líquido
e meus movimentos são pulmões afogados
me afundam na areia movediça
nada me conduz
sob este céu insano

falo o som das escamas
dos estalidos de pequenos ossos
e palavras
com o fogo feroz
dos olhos animais acuados
fogos fátuos
e versos metálicos da palavra réptil

“sonho com serpentes”
e estas me devoram os olhos

SEXO & CIÊNCIA

As personalidades mais luminosas
da minha época dormem na calçada
entre a droga e o estelionato

Esta não é a terra receptiva
ao Anjo condenado a arrastar a sombra
colhendo as laranjas podres da estrada,
esta é uma terra de igrejas negras
- a monarquia réptil
cintila espadas lavradas dos ossos dos inocentes

Eu encontro a filha do negociante de cabeças
apaixonada pelo rei do tráfico
procurando entendimento e significado,
de ouvido colado no poço
esperando alguma notícia real/
aves descem-lhe docemente pelos suspiros

Por onde quer que eu vá
as pessoas trancam as portas
não querem presenciar
o cumprimento das promessas

O chacal crava a lança
no meio do horizonte, é hora
de encarar as possibilidades

As lágrimas de um anjo revoltado
com a escuridão das almas viciadas
materializam a mulher indecifrada
reinando no mundo baixo dos crimes
patrimoniais perpetuados nas escavações
religiosas cuja lógica é o encontro
do Universo com a modernidade

Rufam os tambores do Paraíso
os anjos de Atlântida
gritam nas celas
e a nova esotérica
é esquecida
porque sexo e ciência
dominam os sentidos

Eu não trago disponibilidades
a perfeição reside no esquecimento

ARABELA

Assim que a manhã nasceu
o coelho dominou o caos
atravessando as torres tortas
da poesia

Nem bem o Anjo brilhou
entre a estrela negra e a dourada
a aranha teceu o pentagrama
dos acordes inaudíveis

que apenas o cão do mago capta
na lógica partida do polichinelo
cujo sorriso é herança do tempo
em que o lápis guiava a aquarela

porém, ainda vivemos pelo encanto
das artes mágicas que Arabela
despeja no sonhos dos peixes,
inventando a tinta pelo sonho

para que o sonho nunca a tinta deixe

segunda-feira, 10 de maio de 2010

TUA FALTA...



imagem de Marilza Abreu


TUA FALTA...


Estou chegando...
Está tão frio aqui fora!
A chuva me faz tremer.
O que posso esperar de você?
Ficarás feliz em me ver?
Ou a saudade não te tocou nem um pouco?
O meu coração bate feito louco!
A ansiedade por te ver...
A saudades que me maltrata...
Estou chegando!
Preciso tanto de um abraço.
Seu... seu abraço...

Kira, Penha Gonçales

ENGANAR-ME! COMO?




imagem google





ENGANAR-ME! COMO?



É dificil quando o coração sente
A alma não mente
Já germinou a semente...

E a tristeza toma conta do peito
Este que não tem mais jeito
Por um amor fora de hora desfeito...

E dos olhos caem lágrimas
Escorrem pelo rosto
Salgam os lábios...

Um soluço
escapa da garganta
Não é que queremos...mas fugir do sentimento
Não podemos...



Kira, Penha Gonçales